domingo, 7 de agosto de 2016

DICA DE PORTUGUÊS

Na nossa Língua, o hífen serve para gerar novos significados às expressões; serve para que não haja o entendimento literal, ao “pé da letra”. Vejamos alguns exemplos:
Caixa preta: caixa literalmente da cor preta;
Caixa-preta: gravador das aeronaves.

Cachorro quente: o animal literalmente quente;
Cachorro-quente: o famoso sanduíche.
Certamente poucas pessoas têm a curiosidade de pesquisar as expressões “BOM-DIA”, “BOA-TARDE” ou “BOA-NOITE” no dicionário. E agora? Como devo usar? Com ou sem o hífen? Depende.
O conhecido dicionário Houaiss assim registra:
 Bom-dia 
Substantivo masculino: cumprimento que se dirige a alguém na parte da manhã; bons-dias.
Ex.: cumprimentou-o com um bom-dia caloroso.

Esclarece, assim também, o dicionário eletrônico Aurélio:
Bom-dia 
Substantivo masculino: saudação que se dirige a alguém na primeira metade do dia, na parte da manhã; bons-dias.
Ex.: Deu-me um bom-dia afetuoso.

Nas formas desejosas, de um dia literalmente bom, não há uso de hífen.
“Fulano passa, diz e escreve: 
- Bom dia! Bom feriado a todos!”

Havendo determinante (artigo, pronome, numeral, adjetivo), a expressão passa a ser encarada como substantivo e a situação é diferente:
“Fulano é tão mal-educado que nunca me disse um bom-dia, um boa-tarde ou um boa-noite!”
Veja este diálogo, típico dos elevadores:

Disse assim a vizinha formosa ao garoto:
- Bom dia! 
Ele responde:
- Bom dia! Melhor agora! 
Ela questiona:
- Melhor agora? Por quê?
O garoto, sem-vergonha, suaviza:
- Para se ter um bom dia, literalmente bom, nada melhor que o seu bom-dia! Nada! 
Ela murmura:
- Odeio esses bons-dias safados e infantis!

Mais uma vez: com determinante (artigo, pronome, numeral, adjetivo), “bom-dia”, “boa-tarde” e “boa-noite” são substantivos e usam hífen. 
Meras saudações, sem o determinante, são mensagens destituídas de hífen, uma vez que a leitura é literal.

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