por Carlos Delano Rebouças
O dito popular não é bem o que aparece no
tema, todos percebem, porém, “Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço” e
“Faça o que digo e faça o que eu faço” podem ter muitas semelhanças na
estrutura frasal, nos verbos usados, todavia, a troca das conjunções altera por
completo o seu sentido e seus reflexos, bem menos que as razões que levam a sua
reflexão.
Convivemos com pessoas, em sociedade,
interagindo com o mundo, sob os mais diferentes interesses. Sempre traçando
objetivos e estabelecendo metas para conquistá-los. Muita gente não analisa e
reflete sobre as atitudes tomadas para chegar ao êxito de suas investidas,
pecando muitas vezes na palavra, pondo em dúvida valores humanos,
principalmente caráter e personalidade, tão importantes para qualquer pessoa.
Filhos são orientados pelos pais pelas mais
variadas maneiras, corretas ou não, pelo ponto de vista social, ao qual
enxergado como pertinente a uma perfeita formatação de uma imagem respeitada na
sociedade. Interesses prevalecem, absolutamente, e vêm se tornando um grande
vilão na educação das crianças e adolescentes.
Ninguém quer assumir a responsabilidade sobre
as consequências de uma educação mal desenvolvida. Cada vez mais o estado,
pais, responsáveis, escola e sociedade apresentam suas explicações nada
justificáveis sobre os reflexos comportamentais, tidos como fracassos da
criança e do jovem brasileiro. É muito mais fácil olhar para o lado e escolher
o culpado.
Hoje se ensina a roubar, a enganar e como se
sair ileso, sem muito trabalho e esforço, de diversas situações. Vimos e vemos
isso com bastante frequência nos diversos setores da vida e da sociedade.
Tornou-se uma explícita apologia à falta de ética e respeito, e aos bons
costumes.
Pais descaradamente ensinam e orientam seus
filhos a adotar atitudes nada convencionais, injustas, fora de uma ética, que
os distanciam do mais alto nível da dignidade humana. Compartilham seus
interesses mundanos, absolutamente, estimulando ainda mais um comportamento
interesseiro, distante de valores morais e humanos, que certamente irão
prevalecer na formação de um caráter reprovável pela sociedade.
Antes, se pensava assim, mesmo se tratando de
um absurdo: “Penso e faço errado, mas não ensino e nem quero que meus filhos
ajam da mesma forma que eu. Deus me livre!”.
A televisão todos os dias mostra e colabora
no ensinamento de posturas reprováveis. Personagens de novelas, representando
pais, dão dicas de como se dar bem na vida de forma ilícita e enganando, e que
é uma situação vantajosa; Políticos se divertem as nossas custas, com o
dinheiro público, flagrados em discursos temperados, mas que visivelmente
sabemos que são demagogos; líderes religiosos vendendo uma verdade que são
somente suas, e que na prática, redunda em enriquecimento próprio, favorecendo
aos mais próximos, e que se danem a massa ludibriada. O dom da oratória é a
ferramenta usada e parece trazer excelentes resultados.
Vergonha de dizer como se deve fazer e agir,
não se têm mais. Filhos, alunos, eleitores, cidadãos e sociedade já sabem bem
disso; Escutam e veem, a todo instante, diversos exemplos. O espanto em relação
à conduta humana e no processo de educação e formação humana ficou no passado.
Hoje tudo é normal e querem que pareça natural.
Particularmente, pareço-me parado no tempo.
Estagnado num pensamento, de uma época, em que se pregava a ética, valores, e
que deveriam ter continuidade, pelas gerações; que somos responsáveis pela
formação dos mais novos e pela transformação de todos, independentemente da
idade, mas que prevaleçam a ordem, a verdade, a ética e a moral.
Torçamos, então, que esse pensamento de que
“faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço” fique no passado, e que a
camuflada “faça o que digo e faça o que eu faço” seja totalmente abolida da
mentalidade humana, e que valores humanos sejam priorizados, a fim de que uma
nova sociedade seja lapidada, sem velhos costumes.
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