por
Carlos Delano Rebouças
Triste de quem pensa que
tudo pode significar muito, quando nada o é. Nada de fato tem valor, quando
esse tudo que pensamos ser ou possuir, nada passa da certeza de que, duramente,
passamos a ter que é nada mais é que uma crença má concebida ou uma custódia
para servir de ensinamento, e que é aceita, somente, nos momentos mais
delicados de nossas vidas.
Achou complexa a compreensão
desse parágrafo introdutório? Mais complexo ainda é entender os rumos dados por
nós a tudo nessa vida. Nossas escolhas, definições, crenças... Tudo muito
complicado, bem mais que uma simples construção de pensamentos em períodos, com
uma riqueza de ideias contrastantes, repleta de antíteses e paradoxos.
A nossa vida é assim mesmo –
rica em contraste e pobre de riquezas que
a natureza humana não aprende nunca a definir – e continuará sendo,
achando que tudo pode e tudo é, mesmo que nada seja e nada será como acredita
ser.
O possuir é tudo, quando
valor algum se dá ao ser, quando é bem diferente do ter. São verbos que se
declinam na boca da soberba, da falta de humildade e sabedoria. Até parece que
são somente ele que existem no dicionário da humanidade.
Tudo é efêmero e sequer
muitos pensam nisso. Agem, tantos, com total desdém sobre essa crença e ainda
debocham de quem acredita assim. Gritam para o mundo ouvir: “eu tenho!”, “eu
posso!”, “eu compro!”, “eu faço!” Não sabem o que dizem e o que pensam de uma
vida que se moldou sob o alicerce da insensatez, capaz de ruir a qualquer instante.
Parafraseando Oscar Niemeyer, não posso deixar de acreditar que a vida é de
fato um sopro.
Quando a vela de nossa vida
se mostra no caminho de se apagar, temos uma nova, e quem sabe, derradeira
chance de repensar nossos conceitos. Mas, quando se apaga de repente,
testemunhada pelo o inesperado, essa chance não a temos, nem mesmo para
lamentações. Tudo passa a ser nada e nada logo é esquecido diante de lágrimas
de esquecimentos e atribuições de valores não condizentes com a verdade.
Lembre-se de que nada somos,
de que nada temos e de que nada levamos. Tudo não é nosso e de tudo somos
somente mantenedores, como pastores de
ovelhas.

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