sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

ILUSÕES SHAKESPERIANAS



Por Carlos Delano Rebouças

“Ser ou não ser, eis a questão”.  Como Shakespeare foi feliz na composição de sua obra, Hamlet, tratando uma tragédia tão sublime, mergulhando profundamente em questões tão delicadas, familiares, que envolvem traições, ambições, comuns, como tantas vistas, hoje, mas que ainda causa tanto espanto.

Shakespeare tratou o tema com muita delicadeza, sem dúvida alguma, tornou-a um instrumento de reflexão nas mais diferentes expressões artísticas. A dramaturgia de Hamlet é perfeita, e como é delicado o poeta e dramaturgo inglês, ao tratar de temas tão complexos, que a nossa sociedade, a brasileira, vulgariza com tanta maestria, nas mais variadas e diferentes formas, fazendo-as facilmente se tornarem uma típica representação da comédia humana.

Romeu e Julieta significa outra grande obra de William Shakespeare. Quanta inspiração..., principalmente para os apaixonados, para os apreciadores da escola romântica e para aqueles que acreditam no amor perfeito. 

Há quem acredite que é pura ilusão, que esse amor perfeito, representado sob uma tragédia a qual reforça ainda mais o verdadeiro sentimento de amor entre dois jovens, e que serve para unir duas famílias, em tempo algum, e especialmente hoje, não costuma se ratificar na prática, com tanta harmonia. São, quem sabe, falsas ilusões Shakespearianas.

O amor e o ódio andam caminham lado a lado. Tão pertinho, que o uma tragédia como as vistas nas obras de Shakespeare pode acontecer quando menos se espera.
Quantos crimes passionais acontecem todo dia? Quantas famílias são desfeitas diante de uma desgraça? E quando se ouve relatos, sempre alguém diz: “eles se amavam tanto” ou “um não conseguia viver longe do outro”. Pareciam dois pombinhos.

Juras de amor sempre são ditas, sob as mais diversas influências, inclusive a Shakespeariana. Porém, as tragédias acontecem, sempre, também pelas mais diferentes influências, sob a ilusão, quem sabe, de um amor bem distante de uma racionalidade, fortalecido por frases preconcebidas e de efeito, que em nada representa uma verdade.

Deveria prevalecer bem mais, ao invés de falsas ilusões shakespearianas, a racionalidade, sem obviamente deixar de semear cuidadosamente um verdadeiro sentimento, sem confusões na sua definição.

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