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Mostrando postagens de Abril, 2016

A CANETA

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Por Carlos Delano Rebouças
Parei para pensar sobre a importância da caneta em nossas vidas. O que um instrumento tão insignificante para alguns, pode ser tão importante para outros?
Um dia nem mesmo era uma esferográfica. Simplesmente uma ponta sedosa de pena, molhada à tinta, que servia para registrar momentos e deixar marcas inapagáveis na vida e na história.
Na verdade ela é parte integrante de nossas vidas. Às vezes, quem sabe involuntariamente, mas sem deixar de enxergar como oportuna, salva vidas e vira o assunto da vez. Não aquelas que por natureza, servem como instrumento de estudo, abrindo caminhos importantes para a edificação humana e profissional. Falo de casos já vistos tantas vezes, quando serviu de escudo, salvando o seu portador que a transportava no bolso esquerdo do peito, desviando um projetil, que insistia em atingi-lo.
Quantos fatos e histórias existem sobre a caneta. Sempre alguém tem em mente um fato a contar. Ei-la como protagonista maior.
Quando escrevemos, em meio…

LIVRO QUE ASSUSTA

Por Carlos Delano Rebouças
Um jovem semianalfabeto, já com seus 17 anos, e ainda estagnado na vida, após abandono espontâneo na 2ª série do ensino fundamental, foi presenteado com um livro. Se o presente falasse, diria: Muito prazer, meu nome é livro. Perplexo, olhava para o material editado em busca de imagens, logo na primeira página. Aceitável, pois geralmente é o que mais atrai, à primeira vista. Mas o jovem queria mais. Demonstrava toda a sua angústia a cada folha que passava, sem mesmo ler uma frase. Coitado, quantas dificuldades demonstrar ter em decodificar! Prefere fixar sua atenção às quase inexistentes imagens, que ficam em segundo plano numa excelente obra da literatura brasileira. O jovem parece perdido, como se buscasse entender aquilo que foi lhe ofertado. Pergunta quem escreveu; busca detalhes sobre a obra, sob a visão de quem o presenteou; tenta repassar que não é tão desconhecedor quando se percebe; porém, não consegue evitar que se entenda que um livro é algo que está a…

O CIRCO BRASIL

Por Carlos Delano Rebouças Quando se imagina um circo, inevitavelmente idealizamos uma grandiosa cobertura de lona, bilheteria, pipoca, trapezistas, animais e palhaços. O circo é na verdade a alegria do povo. Muitos circos são montados pelo Brasil, levando a alegria a inúmeras pessoas que ainda acreditam que se trata de um espetáculo ímpar, diferente de qualquer outro meio de entretenimento, embora muitos achem que essa representação artística e cultural caminha em passos largos para a sua extinção. Mas no domingo, 17 de abril de 2016, tivemos provas que o circo está armado e continuará por muito tempo, pois “artistas” é que não faltam. O palhaço, todos já conheciam, só não sabíamos que ele poderia ser um vilão, que se escondia por trás de uma imagem de ingênuo, que de bobo, não tem nada, fazendo lembrar o Trovadorismo – época nostálgica da nossa literatura – em que existia um bobo da corte, que atravessou os tempos, alegrando seus súditos e convidados. Ontem, nós fomos os convidados. O p…

SALVO POR UMA LEITURA

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Por Carlos Delano Rebouças
"Cresci ouvindo de meu pai que devemos estudar e que este é o único caminho para o sucesso na vida. Assim sempre quis acreditar."
Palavras de Luizinho – menino pobre e sofrido, filho de nordestinos da periferia de São Paulo – enquanto folheava no colchão sujo e úmido, devido às tantas goteiras no barraco que divide com mais seis irmãos, seus pais e seu cãozinho Bolinha, um livro encontrado nas ruas daquela megametrópole, na sua caça pela sobrevivência.
Luizinho não descobrira a leitura. Somente matava as saudades do tempo de escola, abandonada por força das circunstâncias. Tinha que ajudar seus pais a sustentar seus irmãos mais novos, apesar de seus 12 anos. Aquela leitura parecia envolvê-lo num mundo desconhecido, perdido e deixado num passado não tão distante. Imaginava ser aquele garoto que se tornava um grande médico, salvador de vidas e descobridor de fórmulas importantíssimas para erradicação de tantas doenças.
Nem sempre nossas viagens são a…

VAI PASSAR...

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VASO DE FLORES E ROSAS

Autor: Carlos Delano Rebouças
Acredita-se que quando se vê uma casa às escuras, com suas janelas e portas sempre fechadas, mesmo sendo habitada, pode ser um sinal de que ali têm moradores, merecedores de uma atenção especial.
Voltemos à origem da vida. Somos concebidos e passamos longos nove meses no ventre de nossas mães a espera do dia de virmos ao mundo. Expectativas de todas as partes - pais, parentes, amigos, vizinhos - aliás, de todos que acompanharam todo o processo vivido, e, principalmente, do bebê, que não ver a hora de abrir seus olhinhos e enxergar o mundo que lhe foi oferecido, absolutamente. Assim nascemos para a vida em plena liberdade.
Essa tal liberdade, tão almejada, em muitos casos, é castrada pelas mais diferentes razões. Questões de justiça, por exemplo, quando se comete algum crime e que deve cumprir a pena atribuída, ou de doença, também, refém de um leito de hospital, podem restringir o direito de socialização de muita gente. Leva a se conduzir uma vida de forma r…

ESSE É O VELHO E ETERNO CHICO

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No alto

O poeta chegara ao alto da montanha,
E quando ia a descer a vertente do oeste,
Viu uma cousa estranha,
Uma figura má.

Então, volvendo o olhar ao subtil, ao celeste,
Ao gracioso Ariel, que de baixo o acompanha,
Num tom medroso e agreste
Pergunta o que será.

Como se perde no ar um som festivo e doce,
Ou bem como se fosse
Um pensamento vão,

Ariel se desfez sem lhe dar mais resposta.
Para descer a encosta 
O outro lhe deu a mão.
Machado de Assis

BIOGRAFIA DE MONTEIRO LOBATO

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Monteiro Lobato (1882-1948) foi um escritor e editor brasileiro. "O Sítio do Pica-pau Amarelo" é sua obra de maior destaque na literatura infantil. Criou a "Editora Monteiro Lobato" e mais tarde a "Companhia Editora Nacional". Foi um dos primeiros autores de literatura infantil de nosso país e de toda América Latina. Metade de suas obras é formada de literatura infantil. Destaca-se pelo caráter nacionalista e social. O universo retratado em suas obras são os vilarejos decadentes e a população do Vale do Paraíba, quando da crise do café. Situa-se entre os autores do Pré-Modernismo, período que precedeu a Semana de Arte Moderna. Monteiro Lobato (1882-1948) nasceu em Taubaté, São Paulo, no dia 18 de abril de 1882. Era filho de José Bento Marcondes Lobato e Olímpia Monteiro Lobato. Alfabetizado pela mãe, logo despertou o gosto pela leitura, lendo todos os livros infantis da biblioteca de seu avô o Visconde de Tremembé. Desde menino já mostrava seu temperamento…

GRANDE RECORDAÇÃO!

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É?

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E VEM O SOL

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Tinham acabado de se mudar para aquela cidade. Passaram o primeiro dia ajeitando tudo. Mas, no segundo dia, o homem foi trabalhar, a mulher quis conhecer a vizinha. O menino, para não ficar só num espaço que ainda não sentia seu, a acompanhou. 
Entrou na casa atrás da mãe, sem esperança de ser feliz. Estava cheio de sombras, sem os companheiros. Mas logo o verde de seus olhos se refrescou com as coisas novas: a mulher suave, os quadros coloridos, o relógio cuco na parede. E, de repente, o susto de algo a se enovelar em sua perna: o gato. Reagiu, afastando-se. O bichano, contudo, se aproximou de novo, a maciez do pêlo agradando. E a mão desceu numa carícia. 
O menino experimentou de fininho uma alegria, como sopro de vento no rosto. Já se sentia menos solitário. Não vigorava mais nele, unicamente, a satisfação do passado. A nova companhia o avivava. E era apenas o começo. Porque seu olhar apanhou, como fruta na árvore, uma bola no canto da sala. Havia mais surpresas ali. Ouviu um som fam…

VALE A PENA RECORDAR

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A laranja, o gato e o matuto

Certa manhã ensolarada de domingo, em uma cidadezinha do interior, passeava eu pela pracinha daquela localidade quando vi um matuto vendendo laranjas. Aproximei-me e vi que eram laranjas de sabor doce e me animei a comprar uma dúzia delas. Enquanto o matuto colocava as laranjas dentro de um saco de papel, eu, me julgando um cara esperto, falei:
– Olha, não deixe de colocar a do gato. Meu gato lá em casa fica miando toda vez que não levo laranja para ele. Sardinha ele não gosta não, mas laranja... O matuto, sem dizer uma palavra, colocou a 13ª laranja no saco e me entregou. Animado pela atitude obediente do matuto, decidi pedir mais uma dúzia. Enquanto ele preparava o saco de papel para ensacar as laranjas, entoei novamente aquela:
– Olha, nesta dúzia também não esqueça a do gato.
O matuto continuou colocando as laranjas, sem dizer uma palavra. Para quebrar um pouco o gelo daquele silêncio pesado que ficou no ar, emendei:
– Sabe, companheiro, esse gato que eu tenho lá em casa tá me inco…

BELAS CANÇÕES

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LINDA CANÇÃO

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DICA DE PORTUGUÊS

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UMA VIDA PELO RETROVISOR

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Por Carlos Delano Rebouças
A vida é uma viagem, que tem um ponto de partida e um ponto de chegada, que nem sempre é onde planejamos e desejamos chegar. Muitas vezes encurtadas, inesperadamente, ou quem sabe, bem mais longa do que imaginamos ser.

Nossa imaginação nos leva a lugares que nossos pés e aceleradores sequer conseguem chegar. Semeamos sonhos, utópicos ou não, e deles, colhemos frutos que nos garantem uma boa lembrança.

Pelo retrovisor da vida, não permite enxergar a possibilidade de retornar. Está distante de mais para voltar. O obstáculo vencido, ultrapassado, este, ficou para trás, perdido, distante, pequeno, pequenino..., que lente alguma permite buscar. Somente recordar, servindo de combustível para os novos caminhos da vida.

Para com a estrada da vida, sempre pensamos longa, mas qual o limite de nossa extensão, de nossos desejos? Devemos viver cada momento, cada instante como se fossem únicos, breves? Vai saber! A vida prega cada peça...!

Só sei que onde a máquina me leva, h…